Optando pela Não Reatividade (parte 4 – o caminho)

Há uma ilustração bastante interessante que o Lama Padma Samten usa em seus ensinamentos: as bolhas de realidade. Cada pessoa está envolvida em seu limitado mundo de pensamentos. Ela interpreta a realidade de acordo com os significados contidos em sua bolha que, por sua vez, está inserida em uma bolha coletiva formada pelas bolhas das outras pessoas do nosso convívio e pelas situações comuns. Em nossas bolhas particulares, diz o Lama: “construímos coisas artificiais, tentamos sustentar aquilo de qualquer jeito, nos identificamos com aquilo que aspiramos. Surge uma identidade que opera de forma cada vez mais hábil, ou seja, cada vez mais responsiva, cada vez menos consciente, no sentido de ter uma avaliação sobre sua própria operação”.

Essa bolha se refere ao padrão de hábitos que foi tratado em nosso último encontro, onde a atitude reativa perpetua as nossas crenças condicionadas. Nós nos movimentamos dentro de paradigmas pré-estabelecidos (pela bolha pessoal e pela bolha coletiva) e não sentimos que temos liberdade para sair disso. Qualquer mudança que tentamos estabelecer contra esse condicionamento parece um salto fenomenal e impossível. Como consequência, a realidade que vamos criando momento a momento segue o mesmo padrão.

Vimos que para sair desse ciclo, precisamos reconhecer momentaneamente a oportunidade de transformação, sentirmo-nos gratos por sermos capazes de realizar essa transformação, ter uma intenção sincera e agir proativamente. Essa seria uma resposta final para a não reatividade, mas parece que existe uma distância muito grande entre isso e a nossa realidade cotidiana. Hábitos consolidados não mudam da noite para o dia.

O que nem sempre notamos é que esses padrões condicionados se refletem em toda mínima ação do dia-a-dia, muitas das quais podemos facilmente mudar. Com micro mudanças, podemos realizar macro mudanças, pois o fato em si é que estamos quebrando padrões. Como a teoria do “efeito borboleta”, esse movimento de consciência se expande em enormes proporções. Para a sua consciência, não importa se é um assunto de pouca ou de grande importância, pois o seu presente está todo representado nesse instante, sem distinção. Por mais que a sua consciência de vigília não perceba, esse momento engloba a totalidade do seu ser. Então, seja qual for a proporção da situação em questão, o que vale é a quebra do mecanismo habitual.

A intenção é a ferramenta da transformação. Quando temos intenções simples como agradecer às pessoas e sermos gentis quando poderíamos ser indiferentes, estamos implementando um novo padrão de comportamento. A gratidão pode ser praticada em cada momento. Adotar esses pequenos hábitos facilita a sua realização em escalas maiores. De tanto alimentar a energia da gratidão, será muito mais fácil praticar o perdão.

Marco Moura

Marco Defensor de Moura
Acupunturista, prof. de Meditação, Tai Chi e Kung Fu
Centro Cultural Tzong Kwan, Vila Mariana, São Paulo

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