Por que é tão difícil meditar? 7 dicas

Por que é tão difícil meditar? 7 dicas

Meditação turbulentaMeditar parece uma tarefa impossível para muitos. A instrução é bem simples: endireitar a postura e observar a respiração. Bem, respiramos o tempo todo sem dificuldade, então qual o problema? O nosso problema é a mente que não permanece atenta à respiração e que dispersa a todo momento, ou como dizem no budismo, a “mente macaco”. Mas seria isso um problema real?

A resposta parece óbvia: se a mente não pode se concentrar na respiração, então isso é um problema para a meditação. Mas não é! De fato, uma mente plenamente atenta não necessita de meditação. Uma mente dispersa é que precisa meditar. Em uma mente nessas condições, nada mais natural que a ocorrência da distração. E mais: a distração é até útil, pois é um sinal perceptível de que a mente começou a vagar. Meditar é um treinamento.

Enumero sete pontos importantes a serem considerados:

1) A distração ocorre porque você a alimenta. A distração começa como um pequeno impulso que, ao darmos atenção, direcionamos nossa energia mental em sua direção ao ponto de perdermos o controle. Podem ser pensamentos, sons, sensações, etc. Nem seguir os impulsos, nem reagir a eles: procure ser neutro, não é tão difícil.

2) É imprescindível um nível mínimo de disciplina. A falta de ordem e de senso de prioridade na mente impede qualquer progresso. Se você deixar a vigília de lado e cair no comodismo mental, não haverá meditação. Faça da organização um hábito em sua vida.

3) Mente parada não medita. Não existe imobilidade mental, então não espere que os pensamentos cessem. A atividade mental é necessária para a meditação, contanto que permaneçamos observando com neutralidade.

4) A expectativa não deve ultrapassar a satisfação do momento. Ok, não dá para aniquilar a expectativa, mas que ela permaneça em níveis aceitáveis. A ideia incessante de se obter um benefício nos causa agitação e ansiedade. Ela nasce de um desejo interno projetado no cenário externo. Não se afobe, contente-se com o que o ato de respirar lhe oferece de mais precioso: a vida.

5) Não idealize o irreal. Uma coisa deve estar clara: meditar não é atingir um estado antinatural, não é fazer da mente algo que ela não é. É apaziguar-se com a mente tal como ela é. Não é necessário pressionar-se demais ou cobrar de si mesmo uma condição contrária ao que é. Libere a carga do “dever” e contente-se em ser o que é, em estar onde está, em fazer o que está fazendo.

6) Observe com profundidade. O mais importante é poder observar os estados mentais profundamente. Quando nos restringimos ao nível superficial, não damos chance à observação pura, pois logo que as movimentações naturais da mente ocorrem, já reagimos. Observe a insatisfação nascendo, as emoções brotando, os condicionamentos se mostrando. E observe simplesmente, sem condenar, sem se identificar. Permita-se observar e, se for diligente, a meditação ocorrerá.

7) Faça o que o momento pede. Estamos sempre envolvidos em obrigações e muitas atividades. Estamos sempre representando algum papel. No momento que você está no trabalho, você é um trabalhador; quando está estudando, é um estudante; quando está varrendo o quintal, é para varrer; quando está dormindo, é para dormir. Não carregamos as pastas do trabalho para a cama, não levamos a vassoura para o ambiente de estudo e assim por diante, então por que carregar os problemas desses personagens para a meditação? Durante a meditação, muitos continuam sendo o trabalhador, o estudante, o pai, etc. Esses são papéis úteis nos momentos apropriados, mas quando não, simplesmente deixe de lado. Ao meditar, simplesmente medite. Se o momento é de meditar, seja apenas um meditador.

Marco Moura
Professor do Curso de Meditação do Centro Cultural do Templo Tzong Kwan

Marco Defensor de Moura
Acupunturista, prof. de Meditação, Tai Chi e Kung Fu
Centro Cultural Tzong Kwan, Vila Mariana, São Paulo

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