Bug Mental

Talvez você já tenha feito atualização em um aplicativo no computador ou no smartphone e, de repente, uma de suas funções começou a falhar, a fazer o programa travar ou fechar sozinho. São pequenas falhas no código de programação conhecidas como bug no meio digital. Infelizmente, não só os aparelhos digitais, mas nós também apresentamos bugs semelhantes em nossas mentes.

BUG ESTRUTURAL
Alguns de nossos bugs se instalam na estrutura de dados de nossas mentes: em nossas crenças, valores e conhecimentos-base. Trata-se de uma falha no banco de dados. Diferentemente dos computadores, não armazenamos dados brutos, mas associamos informações sensoriais, emocionais e racionais, tanto concretas como abstratas. Gravamos esses dados no decorrer das experiências vividas e também quando acessamos nossa memória. Cada vez que acessamos esses dados, podemos reeditá-los. Uma característica desse conhecimento-base é que ele apresenta os dados que compõem os nossos pensamentos. Uma falha basal significa uma falha sistêmica nos recursos que partem deles. O resultado desse bug estrutural é que nossa atividade mental subsequente sempre apresentará dados corrompidos. São exemplos: falsas crenças, superstições, preconceitos, traumas emocionais, problemas de autoestima, etc. Podemos sintetizar em uma palavra: ignorância. Uma vez tendo um sistema de crenças corrompido, os pensamentos inevitavelmente estarão contaminados.

BUG FUNCIONAL
Os bugs funcionais derivam de hábitos nocivos e sua recorrência altera o padrão de nossa atividade mental. Embora sua ação se dê no nível funcional, ele acarreta danos a longo prazo no sistema estrutural e pode sobrecarregar o hardware (no caso, nosso sistema nervoso e hormonal). Exemplos desse tipo de bug são a ansiedade, a impulsividade, a preguiça, o desleixo e vícios em geral. Atitudes que muitas vezes sabemos que não são adequadas, mas que mesmo assim continuamos a tomar devido a sermos levados pelo desejo ou pela aversão. Seria uma ação mental inadequada à qual damos vazão e que se torna com o tempo um padrão habitual, mais tarde se tornando uma norma interna e passando a afetar o sistema estrutural de crenças.

A boa notícia é que os bugs mentais não são fixos. E diferentemente dos bugs digitais, quem pode corrigi-los não é um programador externo, mas o próprio usuário. A condição necessária é a habilidade operacional da mente. Do básico, podemos nos tornar experts. Observando nossas mentes em operação, detectamos a incoerência em sua atividade causada pelo bug. A ideia não é tentar consertar isso, pois a própria intenção de consertar já é “buggada”. A observação pura o levará ao código fonte da sua mente. É a partir de lá que toda a programação mental é feita – uma área sem bugs, onde a linguagem de programação é criada. Você chegou à área dos “zeros” e “uns”. A permanência vigilante aí é o suficiente para transformar os dados e enviar as correções para as áreas corrompidas da mente. Essa reprogramação é chamada de meditação. Você se torna o programador interno, aquele que está por trás do programa. O próprio usuário é o único com acesso total à programação-base, o único habilitado a tornar toda a estrutura do sistema funcional e estável.

Marco Moura

Marco Defensor de Moura
Acupunturista, prof. de Meditação, Tai Chi e Kung Fu
Centro Cultural Tzong Kwan, Vila Mariana, São Paulo

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